segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

TUMORES DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

Tumores cerebrais
Um tumor cerebral benigno é uma massa anormal, mas não cancerosa, de tecido cerebral. Um tumor cerebral maligno é qualquer cancro no cérebro com capacidade para invadir e destruir tecido adjacente ou um cancro que se espalhou (que criou metástases) pelo cérebro vindo de outro lugar do corpo através da corrente sanguínea.
No cérebro podem crescer vários tipos de tumores benignos. O nome que recebem depende das células específicas ou dos tecidos onde têm origem: os schwannomas têm a sua origem nas células de Schwann que revestem os nervos; os ependimomas, em células que cobrem a superfície interna do cérebro; os meningiomas, nas meninges, ou seja, no tecido que cobre a superfície externa do cérebro; osadenomas, nas células glandulares; os osteomas, nas estruturas ósseas do crânio, e os hemangioblastomas, nos vasos sanguíneos. Alguns tumores cerebrais benignos (como os craniofaringiomas, os cordomas, os germinomas, os teratomas, os quistos dermóides e os angiomas) podem estar presentes já no momento de nascer.
Os meningiomas são habitualmente benignos, mas podem reaparecer depois de serem extirpados. Estes tumores são mais frequentes nas mulheres, aparecendo normalmente entre os 40 e os 60 anos, mas podem começar a desenvolver-se na infância ou inclusive mais tarde. Os sintomas e os perigos inerentes a estes tumores dependem do seu tamanho e da rapidez do seu crescimento, assim como da sua localização no cérebro. Se crescerem demasiado, podem causar uma deterioração mental semelhante à demência.
Os tumores cerebrais malignos mais frequentes são as metástases de um cancro que teve a sua origem noutra parte do corpo. O cancro da mama ou do pulmão, o melanoma maligno e o cancro de células sanguíneas como a leucemia e o linfoma podem propagar-se ao cérebro. As metástases podem desenvolver-se numa única área do cérebro ou então em várias.
Os tumores cerebrais primários originam-se no cérebro. Quase sempre, os tumores primários são gliomas, que crescem a partir dos tecidos que rodeiam e suportam as células nervosas. Vários tipos de glioma são malignos; o glioblastoma multiforme é o tipo mais frequente. Outros tipos de tumores primários são o astrocitoma anaplásico de crescimento rápido, o astrocitoma de crescimento lento e os oligodendrogliomas. Os meduloblastomas, que são pouco frequentes, aparecem habitualmente em crianças antes da puberdade. Os sarcomas e os adenocarcinomas são cancros pouco frequentes que se desenvolvem a partir de estruturas não nervosas.
Os tumores do cérebro ocorrem com igual frequência no homem e na mulher, mas alguns tipos são mais frequentes nos homens e outros mais frequentes na mulher. Por razões desconhecidas, o linfoma do cérebro aparece cada vez com maior frequência especialmente em pessoas que sofrem de SIDA.

Sintomas
Os sintomas aparecem quando o tecido cerebral é destruído ou quando a pressão no cérebro aumenta; tais circunstâncias podem ocorrer quer o tumor cerebral seja benigno, quer seja maligno. No entanto, quando o tumor cerebral é uma metástase proveniente de um cancro distante, o doente pode também ter sintomas relacionados com esse cancro. Por exemplo, o cancro do pulmão pode causar tosse com muco sanguinolento ou o cancro da mama pode produzir um nódulo na mama.
Os sintomas de um tumor cerebral dependem do seu tamanho, do seu crescimento e da sua localização. Os tumores em certas partes do cérebro podem alcançar um tamanho considerável antes de os sintomas se manifestarem; pelo contrário, noutras partes do cérebro, mesmo um tumor pequeno pode ter efeitos devastadores.
A dor de cabeça é normalmente o primeiro sintoma, embora a maioria das dores de cabeça se deva a causas diferentes de um tumor cerebral. Uma dor de cabeça devida a um tumor cerebral reaparece geralmente com frequência ou é permanente; é muitas vezes intensa; pode aparecer em pessoas que nunca sofreram dores de cabeça; acontece de noite e já está presente ao acordar. Outros sintomas precoces e frequentes de um tumor cerebral consistem na falta de equilíbrio e de coordenação, enjoo e visão dupla. Em fases mais avançadas podem aparecer náuseas e vómitos, febre intermitente, um pulso e uma frequência respiratória anormalmente rápidos ou anormalmente lentos. Pouco antes de falecer podem ocorrer grandes flutuações da pressão arterial. Alguns tumores do cérebro causam convulsões. Estas, no caso de tumores cerebrais benignos, de meningiomas e de cancros de evolução lenta, como os astrocitomas, são mais frequentes do que nos cancros de evolução rápida, como o glioblastoma multiforme. Um tumor pode ser a causa de um braço, uma perna ou um lado do corpo se tornar fraco ou de paralisar; pode afetar a capacidade de sentir calor, frio, pressão, um contato ligeiro ou uma picada de um objeto pontiagudo. Os tumores podem também afetar a vista e o sentido do olfato. A pressão no cérebro pode causar alterações na personalidade e pode fazer com que a pessoa sinta sonolência, confusão e incapacidade de pensar. Estes sintomas são muito graves e requerem atenção médica imediata.

Diagnóstico
O médico suspeita da presença de um tumor cerebral quando uma pessoa apresenta alguns dos sintomas característicos. Apesar de muitas vezes se poder detectar uma função anormal do cérebro no decurso de um exame físico, para estabelecer o diagnóstico devem utilizar-se outros procedimentos.
Uma simples radiografia do crânio e do cérebro é de pouca utilidade no diagnóstico de tumores cerebrais (salvo em raros casos de um meningioma ou de um adenoma da hipófise). Todos os tipos de tumores do cérebro são visíveis numa tomografia axial computadorizada (TAC) ou numa ressonância magnética (RM), as quais podem medir com precisão o tamanho e a localização do tumor. Quando um tumor cerebral aparece numa TC ou numa RM, efetuam-se exames complementares para determinar o seu tipo exato.
Os tumores da hipófise descobrem-se geralmente quando eles comprimem os nervos da visão ao ponto de chegar a afetá-la. As análises ao sangue mostram valores anormais das hormonas hipofisárias e o tumor pode habitualmente ser diagnosticado com uma TAC ou uma RM.
Alguns tipos de tumores podem também produzir valores anormais de hormonas no sangue, embora a maioria não o faça. Deve fazer-se uma biopsia do tumor (obtenção de uma amostra para o seu exame ao microscópio) para determinar o seu tipo e se é maligno.
Algumas vezes, o exame ao microscópio do líquido cefalorraquidiano obtido por uma punção lombar (inserção de uma agulha na coluna lombar para extrair uma amostra do líquido da medula) mostra células cancerosas. A punção lombar não deve fazer-se se existe evidência de um aumento de pressão dentro do crânio, porque uma mudança súbita dessa pressão pode causar uma hérnia, que é uma das complicações mais perigosas de um tumor cerebral. Ao produzir-se a herniação, o aumento da pressão intracraniana empurra o tecido cerebral para baixo através da estreita abertura na base do crânio, comprimindo assim a parte mais inferior do cérebro (tronco cerebral). Como resultado, desestabilizam-se as funções essenciais controladas pelo tronco cerebral, como a respiração, o ritmo cardíaco e a pressão arterial. Sem um diagnóstico e tratamento rápidos, a herniação pode causar um estado de coma e a morte.
Durante a intervenção cirúrgica pode, habitualmente, praticar-se uma biopsia, extirpar o tumor ou parte do mesmo. Em alguns casos não se pode aceder de forma segura ou direta a tumores que se encontram em partes profundas do cérebro. Nestes casos, pode praticar-se uma biopsia com uma agulha guiada por uma técnica de orientação tridimensional; trata-se de uma técnica por meio da qual a agulha é guiada por um dispositivo de imagem para o tumor, do qual se extraem células por aspiração.
Tratamento
O tratamento de um tumor cerebral depende do tipo e da localização do mesmo. Quando é possível, o tumor é extirpado cirurgicamente. Muitos tumores cerebrais podem extirpar-se provocando pouco dano ao cérebro ou mesmo nenhum. No entanto, alguns crescem em locais onde é muito difícil ou impossível o acesso sem correr o risco de destruir estruturas vitais. A cirurgia causa por vezes lesões cerebrais que podem implicar uma paralisia parcial, alterações nos sentidos, debilidade e deficiência intelectual. No entanto, a extirpação de um tumor é necessária se o seu crescimento afetar estruturas cerebrais importantes. Mesmo em casos em que a extirpação não pode curar o cancro, a cirurgia pode ser útil para reduzir o tamanho do tumor, aliviar os sintomas e permitir ao médico determinar com exatidão de que tipo de tumor se trata e se outro tipo de tratamento poderia ser adequado.
Alguns tumores benignos devem ser extirpados, dado que o seu crescimento progressivo em locais com um espaço limitado pode causar lesões graves e inclusive a morte. Sempre que for possível, devem extirpar-se os meningiomas e isso pode habitualmente fazer-se de maneira total e segura. No entanto, os meningiomas muito pequenos e os que se desenvolvem nas pessoas mais velhas não devem extirpar-se. Geralmente, os tumores benignos, como os schwannomas e os ependimomas, podem tratar-se de maneira semelhante. Em alguns casos depois da extirpação aplica-se radioterapia para destruir qualquer célula que tenha ficado.
Muitos tumores cerebrais, e em especial os malignos, são tratados com uma combinação de cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Depois de se ter extirpado a maior quantidade possível de tumor, inicia-se a radioterapia. Esta não cura habitualmente o cancro cerebral, mas pode reduzi-lo suficientemente para o manter sob controlo durante muitos meses e mesmo anos. A quimioterapia utiliza-se para tratar certos tipos de cancro cerebral. Os cancros cerebrais, metastáticos ou primários, podem responder à quimioterapia.
Um aumento de pressão sobre o cérebro é muito grave e requer atenção médica imediata. Habitualmente, administram-se fármacos como o manitol e os corticosteróides por via venosa para reduzir a pressão e prevenir a herniação. Por vezes, coloca-se um pequeno artefacto dentro do crânio para medir a pressão cerebral, com o objetivo de que o tratamento possa ser adaptado às circunstâncias.
A abordagem terapêutica das metástases cerebrais depende em grande medida da zona onde teve origem o cancro. Muitas vezes, efetua-se radioterapia nos tumores cancerosos do cérebro. A extirpação cirúrgica pode ser útil se houver apenas uma metástase. Para além dos tratamentos habituais, existem outros experimentais que implicam o uso de quimioterapia, a colocação de implantes radioativos dentro do tumor e também a radiocirurgia.
Prognóstico
Apesar do tratamento, só 25 % dos doentes com cancro no cérebro vivem mais de dois anos. O prognóstico é ligeiramente melhor em tumores como os astrocitomas e os oligodendrogliomas, os quais não costumam reproduzir-se durante os 3 a 5 anos posteriores ao tratamento. Cerca de 50 % dos doentes tratados por um meduloblastoma sobrevivem mais de 5 anos.
O tratamento do cancro cerebral tem mais possibilidades de êxito em pessoas com menos de 45 anos, nas que sofrem de astrocitoma anaplásico em vez de glioblastoma multiforme e naquelas cujo tumor pode ser extirpado cirurgicamente em grande parte ou na sua totalidade.
Publicação Manual merck em seu site de Portugal

( minhas observações - existe vitória de sobrevivencia de 20, como foi o caso do médico e escritor David Servan-Schreiber, que escreveu o livro ANTICÂNCER, uma publicação que todos deveriam ler )

O COMEÇO DO FIM

Hoje, dia 16 de janeiro de 2012, comecei a radio e quimioterapia, essa por via oral do medicamento TEMODAL. A rádio foi um processo indolor e rápido, a químio, vou contar em outra postagem, pois os sintomas são mais demorados e ainda não tenho todos os registros.
Enquanto estava no Sirio Libanes, após a radioterapia, encontrei um Sr. jantando com duas pessoas, que mais tarde, depois das apresentações, soube tratarem-se de pai, esposa e filha. Este - o patriarca - estava sem cabelos, com o semblante característico de quem teria ou estava sendo submetido a quimioterapia, de nome Jair, médico, morador de uma cidade do nordeste, provavelmente uns 65 a 70 anos de idade e portador de um câncer, segundo ele de próstata, mas que já tinha apresentado metástase na bexiga, pulmão e vários outros lugares. Ao longo da conversa ele, alegre e brincalhão, por várias vezes se dizia curado; periodicamente tinha de retornar ao Sírio para uma nova quíimio e exames. Contei um pouco da minha história e fez questão de frisar que, como médico, tinha a perfeita noção da sua patologia e da minha, e de que o importante era ter fé em Deus e acreditar que tudo daria certo, assim como vem fazendo desde o ano passado, quando descobriu a doença em novembro, e vem acumulando a cada etapa uma nova vitória sobre a doença.
Observei bem suas palavras e o que mais me chamou a atenção foi a alegria e disposição que emanavam do seu semblante, e uma certa despreocupação do dele com sua doença.
De tanta gente que estou vendo com algum tipo de câncer, e de constatações como essa, já dá até para imaginar que a doença está começando a se banalizar e talvez seja por aí o começo do seu fim.

sábado, 14 de janeiro de 2012

MEU ANJO DA GUARDA

Moro na cidade do Salvador, Bahia, Brasil, tenho 54 anos, 80 kg, 1,83 m, saudável, faço todos os anos um rigoroso check up, e levo uma vida como a de qualquer executivo no Brasil.
Em 2010 num exame de avaliação, descobri que minha pressão estava um pouco mais alta e feitos todos os exames, fui declarado pelo meu cardiologista como um hipertenso LEVE. Passei a usar então uma medicação hipertensiva – BENICAR 20 mg – e tudo continuou como antes.
Dia 28 de Novembro de 2011, ao entrar no carro, não sei como bati o lobo direito do meu crânio, com força, na cabine do carro bem próximo a porta do motorista, uma acidente até certo ponto difícil de explicar, analisando posteriormente cheguei a pensar que tinha perdido o senso de orientação tamanha foi a pancada. Doeu bastante e passei muitos dias com aquela região dolorida, inclusive a orelha.
Sem ligar para esse fato, mais ou menos depois de duas semanas comecei a sentir uma dor de cabeça estranha. Tinha dias que acordava com dor de cabeça, em outros levava parte do dia também com dor de cabeça. Essa situação não era nada que eu não tivesse conhecimento, afinal sempre fui, ao longo da minha vida, um eterno portador de dores de cabeça. Um dia despertei durante a noite com uma dor de cabeça esquisita, aliás nunca tinha sentido uma dessas; era do tipo "pulsativa" e quando acordei resolvi procurar um médico, afinal a cabeça doía quase todos os dias e o local da pancada continuava dolorido, apesar de quase 20 dias do fato.
Fui a um amigo neurologista que solicitou uma ressonância magnética, e como estava para viajar ao exterior onde passaria as festas de final de ano, levei os filmes diretamente na casa dele. Lá tomei o meu primeiro susto, quando ele me disse que a pancada não tinha gerado nenhuma lesão maior no cérebro a não ser o fato de ter me levado a fazer esse exame, e que eu tinha um TUMOR no lóbulo lateral do cérebro, ainda carente de uma melhor investigação, podendo ser um MENINGIOMA.
Fiquei estarrecido, saí de sua casa com uma nova requisição de exame e no dia seguinte já o tinha realizado, dessa vez com um contraste e aspectos mais específicos. Esse novo resultado, que foi dado a minha esposa e filha já apontava alguns indícios de outra neoplasia e apesar de não conhecer esse novo laudo, resolvemos, toda a minha família, irmos para São Paulo, na busca de outras avaliações.
No dia 27 de dezembro já estava em São Paulo em consulta com Dr. Marcos Stávale, que confirmou ser um tumor com irrigação, evidencias de necrose e o quanto antes pudesse ser removido melhor. O caso era cirúrgico.
No dia seguinte, dia 28, estava sendo operado. A cirurgia segundo o médico foi um sucesso, houve a resseção total do tumor. Saí muito bem da cirurgia, sem nenhuma sequela, e no dia 29 eu já estava andando com minha família na lanchonete do térreo do hospital Sírio Libanês, até o médico se mostrou esoantado.
Eu não sabia ainda que tipo de patologia tinha sido retirada e aos poucos fui me rendendo à minha própria curiosidade. Foi quando em uma das visitas do meu cirurgião, perguntei claramente o que ele tinha encontrado. A resposta foi clara e cristalina: um GLIOMA. Dias depois, através do resultado da biópsia, a confirmação de um GLIOBASTOMA MULTIFORME – GBM.
Não sei nem o que pensei naquela hora, sabia pouco sobre tumores do Sistema Nervoso Central, mas o suficiente para saber que tinha um dos piores ou a pior e mais agressiva patologia, com uma sobrevida média de 15 meses, dados comuns obtidos na internet de diversas fontes inclusive universidades no Brasil e Exterior.
Não há nada que descreva essa sensação, só mesmo quem passou por ter a sua sentença de morte anunciada pode ter uma noção disso.
Hoje, dia 14 de janeiro de 2012, ainda não consigo pensar a respeito disso, consigo no máximo colocar isso em uma parte da minha cabeça, que tranco e só abro quando eu quero. Foi a pior coisa que já me aconteceu até hoje, inclusive para minha família. Eu não gostaria de estar na pele da minha esposa, saber que seu parceiro vai em um tempo para frente morrer dessa doença. Muita tristeza, revolta, indignação, perguntas do tipo – POR QUE EU? - e tudo mais, é isso que sinto ao longo dos últimos dias. Meu tratamento começará na próxima segunda dia 16 de janeiro de 2012, farei radioterapia e quimioterapia por 06 semanas, para em seguida uma nova avaliação, quando será definido qual o tipo e continuidade do tratamento.
Tenho lido muito sobre TUMORES no cérebro e espero poder colocar algumas leituras e links sobre o assunto para que outras pessoas possam conhecer - ou até mesmo diminuir - suas aflições, pela presença na família dessa doença que não tem cura ainda, e representa uma falha do nosso sistema imunológico, em síntese.
Minha família inteira ficou abalada, hoje vejo que todos rezam, fazem promessas e formam uma corrente para que eu possa de alguma forma “me curar” ou viver mais, assim como alguns registros de pessoas que viveram 20 anos ou mais.