quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

FUI

Acabou a primeira etapa do tratamento e estou levando comigo a máscara que usava na radioterapia, não sei ainda o que vou fazer com ela.
Retorno no final de março para exames de RM e para dar início à segunda fase do tratamento, dois anos de Temodal - que saco, viu. 
Já tinha desistido da idéia de tomar uma pílula e sair curado, até mesmo porque ela ainda não existe, mas sonhar faz bem, no mínimo cria metas.
Já que essa pílula ainda não existe, vamos à cura dessa doença - onde, por enquanto, o segredo é a eterna vigilância.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

PRISCILA PRINCESA DE PLUTÃO

Nome da cadela da raça poodle que viveu com minha família durante 18 anos. Chegou quando meus filhos ainda eram crianças, brincou com eles por várias fases das suas vidas e quando morreu minha filha já estava casada. A morte de PRISCILA representou o último elo da fase criança e adolescente dos meus filhos, época em que podíamos conviver todos juntos e eles sob as asas dos pais.
Pensando na historia da minha vida com minha família três épocas foram marcantes:
Os  passeios de barco com  a nossa primeira embarcação, uma lancha de 14 pés batia que era um horror mas, fizemos aventuras  maravilhosas por rios e mar;
A nossa casa de veraneio, esperada e desejada nos finais de semana, local onde só se tinha compromisso com o lazer e com o descanso.
A moradia da Pituba, local onde cresceram meus filhos, tornaram-se adolescentes e de onde saiu minha filha para o casamento.
A primeira embarcação foi substituída por outra maior, e esta por uma maior ainda até chegar na atual, que pouco usamos. Um fato indiscutível era que à medida que aumentávamos o tamanho da lancha, perdíamos a companhia dos filhos. Um processo natural, eles estavam crescendo e buscando seus próprios caminhos, mas apesar de óbivio eu só percebi quando a casa começou a esvaziar.
A Moradia da Pituba foi substituída por uma casa fora da cidade, projetada inicialmente para receber toda a família, mas já na concepção do projeto minha filha saiu para casar e tivemos de readaptar a essa situação. Moro lá há 06 anos, não tenho apego nenhum pela casa, por conta disso uma parte da decoração está por fazer até hoje.
Meu último filho saiu para trabalhar em São Paulo, e assim ficamos eu e minha esposa, sozinhos.
Síndrome do ninho vazio, assim chamam os estudiosos do comportamento humano para essa situação. Leva-se tempo para aceitar e passar por cima, o casal precisa se adaptar, isso é um processo longo, eu ainda não tinha me adaptado a essa situação.
Agora tenho de conviver com esse tal de GBM, sinceramente se eu tivesse o direito de escolher, não queria tê-lo, mas se não tivesse esse direito, queria escolher a hora dele aparecer, pelo menos daqui a 30 anos.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

INDO PARA CASA

Só faltam 06 sessões para acabar essa primeira fase do tratamento. Depois disso vou descansar 30 dias e retorno para a segunda fase, que terá uma duração de dois anos, com o uso apenas do Temodal, a princípio mais tranquila.
Vou retornar às minhas atividades normais, entrarei em um programa específico de reabilitação física para recomposição da massa muscular, e de leve dar um grau na silhueta, pois fiquei com um pouco de barriga.
Quando resolvi escrever esse BLOG tinha como um dos objetivos passar minhas experiências para quem quisesse ler mundo afora, e também avaliar o quão seria mais fácil ou difícil encarar essa nova etapa da minha vida.
Passei por vários momentos de engasgos ao longo desses quase 60 dias, aliás ainda passo, mas estou me acostumando com essa doença e suas mazelas, com a ideia de que ainda não tem cura, que se briga por uma sobrevida e que a medicina está em evolução para esticar ainda mais essa sobrevida, quem sabe até encontrar a cura. Assim como o sucesso da cirurgia, poder passar para uma primeira fase do tratamento e estar prestes a passar para a segunda são conquistas na luta contra essa doença.
Algumas coisas que vivi durante esse período ficaram registradas em minha memória, a começar por ver meu filho pronto para me carregar para a maca, antes da cirurgia. Pensei: puxa, carreguei esse menino por anos e agora é a vez dele. Depois, ver minha filha resolvendo todos os meus assuntos administrativos e aqueles junto à Cia Seguradora - nunca pensei em me ver assistindo literalmente aos acontecimentos. Ver minha esposa descer à posição de minha babá ao longo desse período, não coloquei na boca sozinho um comprimido sequer. Ver minha irmã vir várias vezes a São Paulo trazer comida especialmente feita por minha mãe para minha recuperação. Aliás, por falar nela, uma das coisas mais dificeis foi dar conhecimento à minha mãe do que se passava comigo, ela ainda é uma pessoa lúcida (apesar da idade), e nos primeiros momentos o que tinha na cabeça era que a minha sobrevida seria no máximo de 12 a 15 meses. Parecem ser coisas simples, mas além de demostrarem o carinho e amor de todos por mim, foi a minha primeira experiência de dependencia total de outras pessoas.
Eu já falo sem maiores constrangimentos sobre minha situação, mas ainda tenho emoções. Vejo que existem outras pessoas em situações mais delicadas e algumas muitas vezes injustiçadas - não sei por quem, - como é o caso das crianças que vi sendo tratadas de câncer.
No início, quando tomei conhecimento da minha doença, as estatísticas de sobrevida me apavoraram. Fiquei arrasado, indignado, revoltado, achava que ainda tinha muita coisa a fazer por aqui, e me perguntava por que eu estava nessa situação. Aos poucos, com o melhor esclarecimento do meu caso junto aos médicos e das informações disponíveis na net sobre as estatísticas de sobrevivência, fui reavaliando meu processo e hoje tenho a certeza de que, com acompanhamento e controle, eu posso viver a minha vida.
Para chegar aí, primeiro precisei passar pelo medo da morte, depois pela minha própria avaliação do que vim fazer por aqui, para depois ficar indiferente ao que pudesse me acontecer. A avaliação do que fiz durante meus anos de vida foi importante para chegar a essa indiferença: meus filhos estão criados, foram bem educados por nós, são pessoas de caráter, tem vida própria; minha esposa, na minha falta, tem capacidade de prosseguir sem nenhuma dificuldade. Disse aos meus familiares e filhos que ela deveria buscar outro parceiro, quando se sentisse à vontade. Também ajudo outras pessoas a sobreviverem, de modo que tenho uma boa avaliação do que fiz por aqui.
Espero que as coisas evoluam bem, que meu cabelo cresça novamente e que a medicina continue evoluindo a passos largos para que, em breve, possa dizer que estou curado.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

MAIS DUAS GRANDES DESCOBERTAS CONTRA O CANCER


O sucesso, hoje, para a sobrevivência com essa doença vem de pequenas vitórias, um dia atrás do outro. É preciso ter paciência, resignação e perseverança, enquanto isso a inteligência humana vai fazendo a sua parte e os jovens, com suas irreverências tem papel fundamental na descoberta do novo, assim fez a Chinesa Ângela de 17 anos.
Transcrição da notícia
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A cura do câncer é, sem dúvidas, uma das descobertas científicas mais esperadas. Um estudo divulgado com alarde no mundo inteiro no dia 10/02/12, feito pela estudante chinesa Angela Zhang, de apenas 17 anos, aponta que é possível combater células cancerígenas sem afetar as células sadias. A ideia da jovem foi misturar remédios de combate ao câncer em um polímero (um composto químico com grande massa molecular), que se ligaria a nanopartículas. A grande sacada é que essas nanopartículas se prendem mais rápido às células cancerígenas e, por isso, em uma ressonância magnética, os médicos seriam capazes de detectar exatamente onde os tumores estão. Por fim, uma luz infravermelha aplicada na direção dos tumores derreteria o polímero, o que liberaria o remédio e deixaria as células saudáveis ilesas. Os testes em tumores de ratos mostraram que as células do câncer foram quase completamente destruídas. Ainda é cedo para tirar conclusões – testes em seres humanos só devem acontecer daqui alguns anos. Mas a descoberta de Zhang já é um passo importante. Um dos maiores problemas nos tratamentos já conhecidos – radio e quimioterapia – é justamente os efeitos colaterais que provocam no paciente. Por isso, essa questão tem sido foco de atenção dos cientistas da área.
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A noticia na integra pode ser lida no link abaixo:


Outra boa notícia sobre uma nova droga está no link abaixo:





domingo, 12 de fevereiro de 2012

4ª SEMANA DO TRATAMENTO

Na semana que passou (3ª) as coisas foram relativamente tranquilas. Meu cabelo está esquisito: a parte do local da cirurgia (lado direito) está completamente calva, mas segundo minha esposa já tem sinais de nascimento de novos cabelos nessa região (tomara!); na parte de cima eles estão caindo em ritmo mais lento, mas acho que cairão por completo. Vou ver como os cabelos se comportam na próxima semana para raspar tudo ou apenas rebaixar o que sobrou. Estou com alguns sinais de vermelhidão na área direita da cabeça, a orelha está um pouco inchada e a pele na junção da cabeça apresenta um pequeno ferimento, segundo os médicos natural ao processo - é até esperado que aumente um pouco.
Amanhã, segunda-feira, começo minha quarta semana de tratamento. Tenho um exame de sangue mais completo para fazer, graças a Deus os resultados anteriores tem sido ótimos, os efeitos dos medicamentos e processos foram mínimos e estou contando os dias para voltar à minha casa, restabelecer um pouco minha vida normal e me preparar para voltar e seguir com a segunda fase do tratamento.
Lá vem as minhas entranhas desse processo novamente e fico pensando, com base nos depoimentos que li pelo mundo afora, que será duro ter uma recidiva desse GBM. Aqueles que sobrevivem por mais tempo tiveram algumas, acho que isso é uma certeza. Paciência, espero nunca ter, viver anos e anos, mas se tiver, arranco ele novamente.
O que será que faz uma pessoa ter esse tipo de doença e outras não? Por que a ciência ainda não conhece essa informação? Será o interesse econômico? O Senador Kennedy morreu disso.
Não adianta falar em boa saúde, eu tinha - pelo menos os meus exames apontavam isso. Faço check ups rigorosos anualmente há mais de 25 anos, nos últimos três acrescentei a parte hormonal e sempre tive hábitos sadios. Bom,  espero estar por aqui ainda para ver a ciência explicar isso. Fato é que o câncer está se alastrando por nós muito rapidamente, tenho convivido com casos dos mais variados possíveis e em todas as idades.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

MAIS UM NOVO TRATAMENTO EM ESTUDO CONTRA O GBM

Acabei de receber mais essa “boa” notícia de um novo procedimento na luta contra o GBM, ainda que seja experimental:

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JFK Becomes First East Coast Site to Open Clinical Trial of

New Treatment Under Investigation for Aggressive Brain Tumors


New Jersey – JFK’s Brain Tumor Center is the first east coast hospital to start enrolling patients into a clinical trial for Toca 511 & Toca FC, a combination therapy under investigation for high-grade glioma (HGG).  HGG is an aggressive brain cancer that typically recurs despite maximal therapy including surgery and chemoradiation.

The investigational treatment combines Toca 511 (vocimagene amiretrorepvec), an innovative  biologic drug, with Toca FC, an extended-release tablet containing the antibiotic flucytosine. “I was impressed by the published data to date on the mechanism by which the drug incorporates into the tumor cells,” said  Joseph C. Landolfi, D.O., director of the JFK Brain Tumor Center. We are offering several trials for the treatment of newly diagnosed glioblastoma multiforme. This trial allows us to expand the novel therapies available to include a broader range of patients as the Toca 511 is available to all recurrent HGG patients.

Standard treatment of HGG begins with surgery to remove as much of the tumor as possible, and is followed by radiation therapy, and chemotherapy.  Although the goal of standard treatment is to eliminate the tumor, the cancer usually returns because the tumor cells blend with and infiltrate healthy brain tissue.

In this clinical study, immediately after surgeons remove as much of the recurrent high-grade glioma as possible, the biologic drug Toca 511 will be injected into the “bed,” or portion of the brain from which the tumor was removed.

About seven weeks later, each patient will begin an eight-day course of oral Toca FC tablets. If tolerated well, these eight-day courses will be repeated every eight weeks for a total of three rounds during the six-month study. An MRI scan will be performed every two months during the trial period to measure the treatment’s effectiveness.

According to Tocagen, Inc., the San Diego-based biotechnology company that developed the investigational treatment, Toca 511 is designed to selectively deliver to cancer cells the genetic instructions to produce the cytosine deaminase (CD) enzyme, which can then convert the antibiotic flucytosine into the potent anti-cancer drug 5-FU, inside the cancer cells. 

To be eligible for the clinical trial, patients must be at 18 years to 80 years old and be considering surgery to remove a single high grade glioma tumor that has recurred or progressed following surgery, radiation and chemotherapy with temozolomoide..

 In addition to JFK, this clinical trial is also being conducted at other leading neurooncology centers in the United States.

JFK is now screening patients to participate in this clinical trial. Patients and referring physicians can call the study coordinator, Charles Porbeni, at 732-321-7000 x 68897 for further information.

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

COMO ENTENDER O QUE DIZEM OS MÉDICOS

Hoje tive uma nova sessão de radioterapia, mas antes passei pela triagem de enfermagem que colhe informações sobre o estado geral do paciente, disse que apesar da medicação para a constipação estava difícil ir ao banheiro.

Procedimentos à parte fui então para a consulta com o radioncologista Dr. João Luiz, onde fiz perguntas acerca da minha relativa surpresa com a queda dos cabelos, questionei se nasceriam novamente; depois de acessar minha ficha e dados do tratamento, segundo ele voltariam a nascer, espero. Apresentei informações sobre um novo tratamento já homologado nos EUA, chamado de TTF100A e ao final, ouvi dele as seguintes colocações: Esse novo tratamento já é de nosso conhecimento, aplica-se em pacientes com recidiva, em uma segunda etapa, o tratamento que estamos fazendo em você é para a CURA, você vai sair daqui CURADO. Justificou essa colocação levando em consideração dados da cirurgia, o plano de ataque da radioterapia (associada à quimioterapia) às zonas de influencia do tumor, concentrações específicas da irradiação em determinadas áreas, sob a bandeira do felling médico,  e do quadro geral do paciente.

É TUDO QUE UM PACIENTE DE GBM GOSTARIA DE OUVIR.
Senti muita verdade em suas colocações, Deus queira que seja assim, mas preciso ter cautela com isso para amanhã não pirar se for diferente, afinal na  medicina nada é exato e precisamos saber também processar as informações dos médicos.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

OS PRIMEIROS SINAIS DA RADIO E QUIMIOTERAPIA

Amanhã começarei minha quarta semana de tratamento e no sábado, meu cabelo começou a cair, fiquei meio desolado, não com o cabelo em si, mas com a informação dos médicos de que eles poderiam cair - ou não. A literatura (que só agora procurei, sobre esse assunto) fala que esse sintoma começaria a partir da terceira semana e que os cabelos retornam ao final do tratamento para aqueles que tomaram até 30GY de radiação; meu processo ao final será de 60 GY, provavelmente não terei mais cabelos em parte da cabeça ou bastante ralos. Esses médicos deveriam falar a verdade, mas mentem quantos dentes tem na boca, o que esperar do resto das promessas desse pessoal ?
Os cabelos do lado da cirurgia (o direito), desapareceram, sairam aos tufos de sábado para domingo, estou careca de um lado, vou precisar tomar uma atitude que vai ser raspá-los por completo. Fui à missa perto da minha casa (não mais que 500 m) e quase tive de sentar no passeio, fiquei cansado de andar... imaginem, passei o dia inteiro com sono, tive dor de cabeça (me obrigando a tomar uma medicação para isso), ou seja, sintomas do processo, aliás, parte deles, até então não tinha sentido nenhum sintoma daqueles esperados, vamos ver o que virá mais, tomara que parem por aí.

Enquanto escrevia essa nova postagem uma notícia recente acabava de chegar apresentando uma nova terapia para esse tipo de tumor, já aprovada pelas autoridades americanas.

The Novocure NovoTTF-100A System is a unique new form of treatment for brain tumors: it uses Tumor Treating Fields (TTF) to kill dividing cells. These fields are delivered by removable transducer arrays that are placed on the head.

This was approved by the United States FDA in 2011 for use in patients with recurrent glioblastoma multiforme and is currently in a large multi-center phase 3 clinical trial for patients with newly diagnosed glioblastoma multiforme (GBM).

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

TERCEIRA SEMANA DE TRATAMENTO

Algumas mudanças eu já estou sentindo nessa terceira semana de tratamento. O cabelo está caindo aos tufos nas áreas de influência da radiação, tive de cortá-lo bem baixinho, mas acho inevitável não ter de raspar a cabeça. Algumas regiões da minha cabeça sob a influência da radio, estão bastante sensíveis, me dá uma sensação de ardidas.

A libido foi para o pé, aliás, não estava essa coisa toda não, mas dessa vez desapareceu por completo, minha esposa e eu viramos irmãos, rsrsrs. Estou engordando, cheguei aqui com 82 kg, comecei o tratamento com 80 kg e agora estou com quase 85 kg. Minha barriga está uma coisa, nunca vi tão grande, ela chega primeiro do que eu, rsrsrs. Está duro ir ao banheiro, a constipação veio matando por conta do remédio anti-enjôo; aí vem um pouco da explicação da barriga, estou me atolando na castanha de caju para não tomar um laxante, pois a última vez que tomei foi um desastre, tive de vir correndo para casa, quando cheguei no lobby do meu prédio os dois elevadores estavam subindo... aí não deu mais, foi uma tragédio, ainda bem que só tinha eu para subir.

Bom, mas isso tudo vai embora e rapidinho eu volto ao meu corpo de sempre, alto bonito e esguio.

Todos os dias na radioterapia encontro com o ex-presidente Lula, que também sofre com essa doença, desejo a ele o mais rápido possível a cura, afinal ninguém merece essa doença. E assim vou indo, já dou minhas escapadinhas para o trabalho, tenho uma parte da minha empresa aqui em São Paulo.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

VOU À LUTA

Recebi um site ( http://www.btbuddies.org.uk/stories-of-hope.html  ) que conta histórias de sucesso na luta contra tumores malignos do sistema nervoso central. São registros de pessoas que estão vivas, algumas com 05, 10 e até 15 anos. Essas histórias tem algo em comum além dos protocolos da medicina, alguns mais recentes do que outros: a determinação em dizer não à sentença de morte que traz essa doença.

Ainda estou na terceira semana de meu tratamento, nessa fase inicial serão seis semanas de quimio e radio, para posteriormente uma avaliação do desempenho e conforme for dar início ao próximo passo, que será a quimioterapia “light” por mais dois anos. Mas uma coisa já decidi, eu não vou entregar minha vida sem me espernear, buscar todo o tipo de ajuda e tecnologia, esteja onde estiver. Se “DINO” reaparecer, eu pego ele primeiro do que vai poder crescer, e assim vamos brigando, até eu não poder mais, vou por meu nome nesse site. Essa determinação não quer dizer que não possa mais chorar, aliás fiquei muito frágil nisso, ando querendo chorar à toa, os comentários que normalmente recebo nesse blog me fazem no mínimo engolir meu choro, mas todos são muito oportunos.

Já estou estudando tudo sobre DINO, suas características, o que precisa para multiplicar-se, o que gosta e não gosta, vou fazer uma mudança radical no perfil da minha alimentação, agora não dá mais para brincar com o físico, preciso por o corpo para se exercitar e quanto à medicina vou ficar muito atento a novos tratamentos, estejam onde estiverem.

Como bom baiano só estou esperando meu retorno a Salvador para ir ao terreiro e buscar ajuda dos orixás, e também nos centros espiritas.

Meu estilo de vida vai mudar: deu, deu; não deu, não deu, paciência.

Nesse momento preciso me concentrar no tratamento com a quimioterapia e radioterapia e suas implicações, ajudar meu corpo a reagir a essas agressões da melhor forma possível e se possível manter os melhores indicadores do sangue, que até hoje estão ótimos, dito pelos médicos.

Minha mãe e irmã estão comigo essa semana aqui em São Paulo, minha mãe trouxe várias iguarias, voltei a comer comida caseira, mas como estou fora de casa termino comendo em restaurantes.

Tudo isso pode parecer pouco, mas a única vitória contra esse tipo de tumor só pode ser feita devagarzinho e aos pouquinhos.

Se voces souberem de algo que possa me ajudar, avisem-me.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

UMA BOA NOTÍCIA

Hoje tive duas consultas, a primeira com o meu médico oncologista radiologista Dr. João Luiz, que mais uma vez enfatizou estar indo muito bem o meu tratamento e que os meus registros apontavam para mais um sucesso no tratamento dessa doença. A ressecção radical da massa tumoral, a ausência de sequelas da cirurgia, o fato de eu estar da mesma forma como antes, são os principais registros disso. Apesar desse depoimento eu fiz várias perguntas em relação ao tumor, suas infiltrações, dados da cirurgia, para criar meu próprio juízo de valor, afinal os médicos sempre enfatizam a esperança, estejam os pacientes em que condições estiverem. O meu sentimento foi de que ele estava colocando percepções positivas e verdadeiras. A segunda foi com o oncologista clínico Dr. Arthur Katz, que analisou os meus exames de sangue das últimas duas semanas e explicou sobre o processo da quimioterapia. Os meus exames foram dados como excelentes e até certo ponto, segundo ele e o Dr. Rafael, acima da média para paciente tratado com quimioterapia na terceira semana. Também fiz alguns questionamentos, dessa vez mais na linha dos acontecimentos futuros, tendências e o que esperar. Entendi que após essas 06 semanas vou descansar 30 dias sem nenhuma medicação, retorno ao Sirio para uma sessão de Ressonância Magnética (oportunidade em que será verificado qualquer reaparecimento - ou não - do GBM), e enfim será prescrito, se tudo estiver ok, o tratamento quimioterápico de manutenção por 02 anos, e definida a agenda de consultas de acompanhamento e avaliação.
Eu tenho certeza de que vou passar bem por essa fase inicial. Sinto que, pelas minhas apurações, esse tumor foi descoberto ainda em um estágio relativamente inicial e foi cirurgicamente bem tratado. Não posso descartar a possibilidade de existirem ainda células remanescentes, mas a rádio e a quimioterapias farão o restante do trabalho; a recidiva, que é uma quase certeza, vou tratá-la se vier e quando vier, da mesma forma como estou tratando agora.
E assim vem um dia atrás do outro, uma vitória atrás da outra, ainda que sejam em etapas iniciais.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

FÉ É A ESPERANÇA

Nunca recebi tanta novena e rezas para fazer, já tem até uma "corrente" com reza todos os dias às 15:00hs, missas são encomendadas por meus parentes e eu estou até envergonhado com meus sentimentos de fé, que deveriam ser muito maiores do que o de todos eles, afinal essa doença não tem cura pelas mãos dos homens, o máximo que se consegue é uma sobrevida maior, viver só pela mão de DEUS.
Eu sou filho de uma família de católicos praticantes, fui habituado a frequentar a igreja, mas na fase adulta me afastei das missas, porém nunca deixei de rezar todas as noites.
Agora com essa situação e depois de passado todo o impacto dos primeiros momentos, vejo a necessidade de fortalecer o meu espirito e a fé em Deus, mais sei que isso é um processo também.
Como mortal que sou e sabendo que não tenho alternativa de cura pelas mãos dos homens, daí vem a minha vergonha, tenho pedido nas minhas rezas pela minha cura, e termino ficando desacreditado comigo mesmo, pois pareço ter passado óleo de peroba na cara, e como estou agora nessa situação recorro nas preces ao bom DEUS e seus pupilos. Não estou me sentindo bem com isso, mas não quero perder a única oportunidade que tenho.
Talvez em função desse meu momento a reza que mais gosto de fazer, todas as noites, é para o Santo Expedito, pois retrata o meu desespero e verdade de pensamentos:
Meu Santo Expedito das causas justas e urgentes interceda por mim junto ao Nosso Senhor Jesus Cristo, socorra-me nesta hora de aflição e desespero, meu Santo Expedito Vós que sois um Santo guerreiro, Vós que sois o Santo dos aflitos, Vós que sois o Santo dos desesperados, Vós que sois o Santo das causas urgentes, proteja-me. Ajuda-me, Dai-me força, coragem e serenidade. Atenda meu pedido (Fazer o pedido). Meu Santo Expedito! Ajuda-me a superar estas horas difíceis, proteja de todos que possam me prejudicar, proteja minha família, atenda ao meu pedido com urgência. Devolva-me a paz e a tranqüilidade.
Tudo nesse processo é muito novo e fortíssimo, o que está em jogo é apenas o quando e assim como eu já consigo conversar sobre o que aconteceu e está acontecendo, a ponto de chamar esse tumor que “tinha” de Dino, vou conseguir buscar uma certa paz interior que me permita pedir, com fé, pela minha vida aos santos e a Deus.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

DESABAFO

Eu ainda não consigo pensar e escrever tudo que sinto sobre esse momento novo da minha vida. Sei que foi uma mudança radical, que vai do pessoal ao profissional, e dizer que estou puto é muito pouco. Sei que não estou preparado para essa nova situação da minha vida, a morte à minha espera num tempo menor do que eu imaginava me deixa revoltado e inconformado com esse destino, mesmo considerando que somos mortais e que um dia morreremos. Morrer não é o problema, afinal todos morremos, mas a sensação de muitas coisas ainda por fazer é que revolta e machuca.
Eu acredito que já tive alguns sinais de que devo contrariar as estatísticas de sobrevivência dessa doença, que são relativamente pequenas. O primeiro deles foi a cabeçada no carro que me possibilitou perceber a presença desse tumor, depois o fato de não ter tido nenhum sintoma dessa doença, a declaração do meu médico de que a cirurgia foi um sucesso, e por último a minha saúde, que ainda é boa. O que aterroriza é que esse tipo de patologia fica à espreita e mais cedo ou mais tarde reaparece.

Eu me acho uma pessoa esperta e perpicaz, mas fiquei completamente vendido no diagnóstico da minha doença. Vim de Salvador para São Paulo "crente do sucesso" que tinha um meningioma, nem sei quem me disse isso, mas minha família quase toda já sabia que eu tinha um tumor malígino. Rapaz, no seu dia voce pode crer que fica abestalhado, é essa minha constatação; eu só espero não estar novamente nessa situação, estão dizendo para mim que está tudo uma beleza, mas dessa vez estou com os olhos abertos e não estou engolindo qualquer coisa. O "bacana" que arrumei, não sei onde, é fodão, ainda indestrutível e tudo que estou fazendo é para ter uma sobrevida maior e esperar que a medicina evolua para me tirar dessa certeza da morte, no curto ou médio prazo. Mas que eu estou PUTO, bote PUTO nisso. 
Esses dias recebi a visita da minha cunhada, uma visita muito agradável e oportuna para mim e para minha esposa, que como uma pessoa emotiva não sei onde anda buscando forças para passar com certa consciência por esse momento das nossas vidas. A situação dela é muito pior do que a minha, afinal morrer é ponto final, mas a dor da perda fica com os que ficam.
Todos os dias tomo 24 comprimidos, nos finais de semana 26, com hora marcada; preciso de companhia, apesar de estar inteiro, mas existe o risco de convulsão, pois à medida que o cérebro reage à radio e quimioterapia ele vai se inflamando e inchando, uma reação natural do processo. 
Devagarzinho vamos caminhando para frente, nesse tipo de doença a regra - que ainda não engoli, mas chego lá - é viver um dia após o outro e comemorar uma vitória a cada dia vivido.

Aos poucos já estou começando a voltar a trabalhar, mas já percebi que depois da radio o uso contínuo do computador me deixa cansado e com um pouco de dor de cabeça. Enfim, amanhã é um novo dia.

domingo, 22 de janeiro de 2012

MINHA PRIMEIRA SEMANA DE RÁDIO E QUIMIOTERAPIA

Segunda-feira dia 16 de janeiro de 2012 comecei o meu tratamento, ao todo são 24 comprimidos por dia. A radio é todos os dias às 11:00hs: entre arrumação, colocação da máscara e procedimento duram mais ou menos 20 minutos, não se sente absolutamente nada, para mim, apenas o desconforto da máscara que te prende à maca sem nenhuma possibilidade de mexer o rosto, é meio claustrofóbico. Esse procedimento vai até as sextas-feiras, descanso nos finais de semanas e as reações ao processo provavelmente deverão vir nas duas últimas semanas; fui alertado para dores de cabeça, irritações no temperamento e coisas do gênero.
A químio fica para a noite todos os dias às 22:00hs, tomo um remédio preventivo de sintomas colaterais, 30 minutos antes e logo próximo às 23:00hs já estou dormindo. Graças a Deus não estou sentindo absolutamente nada desse processo. Nos finais de semana, tenho de tomar um antibiótico para prevenir-me quanto à possibilidade de pneumonia. Esse procedimento vai até 29 de fevereiro, quando deverei descansar 30 dias, espero em minha casa em Salvador, para retornar novamente para uma nova avaliação.
Ainda tenho um sentimento de inconformismo muito grande dessa situação, mas aos poucos começo a entender que não tenho escolha a não ser seguir o tratamento e buscar alternativas, esperando que a medicina, ao longo desse tempo, consiga evoluir para uma “cura” dessa doença.
Existem muitas rezas sendo feitas por meus familiares, até correntes de fé, eu rezo todas as noites em conjunto com minha esposa e aos poucos vou espiritualizando-me.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

AS FERRAMENTAS NA LUTA CONTRA O GBM

Apesar da internet ter muitas matérias, estudos e informações sobre centros de referencias, fiz um consolidado de algumas pontos que julguei interessantes e quem sabe se não podem abreviar a pesquisa de outrem.

A luta contra o GBM ainda nos é desvantajosa, afinal ele é muito pequeno, se esconde com facilidade, praticamente não envelhece, se reproduz com rapidez e faclidade, mas não é tão inteligente assim, pois ao matar o paciente morre junto.
Estou aguardando a evolução da medicina cada vez mais eficiente e quem sabe se em breve não surge uma forma de extermínio desse tipo de tumor, até lá, vale o que puder e tiver ao meu alcance ( cirurgia, tratamentos com rádio e quimio ) e antes de mais nada muita fé em Deus, que no mínimo vai confortar minha dor. Os médicos hoje em dia dizem, aos sete cantos, que a medicina dobra de conhecimento a cada dois anos, que bom.

Em São Paulo, centro de referência no Brasil para esse assunto, existem neurocirurgiões renomados, dentre eles:

MARCOS AUGUSTO STAVALE JOAQUIM
CIRURGIA NEUROLÓGICA
Rua Da. Adma Jafet, 91 Bela Vista - São Paulo - SP
Cep: 01308-050 Tel: (11) 3155.0200

FERES EDUARDO CHADDAD NETO
CIRURGIA NEUROLÓGICA
Rua Maestro Cardim, 769 Bela Vista - São Paulo - SP
Cep: 01323-900 Tel: (11) 3505.9000

EDUARDO DE ARNALDO SILVA VELLUTINI
CIRURGIA NEUROLÓGICA
RUA DA. ADMA JAFET, 74 - 12º AND. CJ 121 BELA VISTA - SÃO PAULO - SP
Cep: 01308-050 Tel: (11) 3259.8577

FELIX HENDRIK PAHL
CIRURGIA NEUROLÓGICA
Rua Da. Adma Jafet, 74 - 12° And. Cj 121 Bela Vista - São Paulo - SP
Cep: 01308-050 Tel: (11) 3259.8577
nota: existem outros nomes, perdão por não apresentá-los mas não os tenho ainda.
Existem vários centros de pesquisas e excelência no tratamento desse tipo de patologia, eles estão nos EUA, Inglaterra, China, onde tem-se a notícia do primeiro caso de cura por vacina, e aqui no Brasil o Hospital Sírio Libanês, é a referencia maior, com a utilização dos protocolos mais avançados de combate a essa doença.

O GBM pode ser pesquizado em algumas publicações e centros de pesquisas, dentre os quais ressalto:
- Livro Anticancer - prevenir e vencer usando nossas defesas naturaisde de Servan-Schreiber, David; tradução: Rejane Janowitzer e Regiane Winarski - 2.ed.rev. e ampl.  Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.
- Memorial Sloan-Kettering Cancer Centre
- The Adult Brain Tumor Consortium (  ABTC  )

http://www.hopkinsmedicine.org/international/physicians/medical_news/neurology_neurosurgery/new_ways_tofight_glioblastoma.html
- American Brain Tumor Association
2720 River Road; Des Plaines, IL 60018
800.886.2282; 847.827.9910
info@abta.org

- American Cancer Society
1599 Clifton Road, N.E.; Atlanta, GA 30329
800.227.2345; 404.486.0100

- American Institute for Cancer Research; Nutrition Hotline
1759 R St. NW; Washington, DC 20009
800.843.8114; 202.328.7744
aicrweb@aicr.org

- Association of Cancer Online Resources

- Brain Tumour Foundation of Canada
620 Colborne Street; Suite 301; London, Ontario; N6B 3R9 CANADA
800.265.5106; 519.642.7755
btfc@btfc.org

- Cancer Care
275 Seventh Avenue; New York, NY 10001
800.813.4673; 212.712.8400
info@cancercare.org
www.cancercare.org

- Hospital John Hopkins

Por enquanto é o que tenho, mas estarei sempre atualizando esse material.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

TUMORES DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

Tumores cerebrais
Um tumor cerebral benigno é uma massa anormal, mas não cancerosa, de tecido cerebral. Um tumor cerebral maligno é qualquer cancro no cérebro com capacidade para invadir e destruir tecido adjacente ou um cancro que se espalhou (que criou metástases) pelo cérebro vindo de outro lugar do corpo através da corrente sanguínea.
No cérebro podem crescer vários tipos de tumores benignos. O nome que recebem depende das células específicas ou dos tecidos onde têm origem: os schwannomas têm a sua origem nas células de Schwann que revestem os nervos; os ependimomas, em células que cobrem a superfície interna do cérebro; os meningiomas, nas meninges, ou seja, no tecido que cobre a superfície externa do cérebro; osadenomas, nas células glandulares; os osteomas, nas estruturas ósseas do crânio, e os hemangioblastomas, nos vasos sanguíneos. Alguns tumores cerebrais benignos (como os craniofaringiomas, os cordomas, os germinomas, os teratomas, os quistos dermóides e os angiomas) podem estar presentes já no momento de nascer.
Os meningiomas são habitualmente benignos, mas podem reaparecer depois de serem extirpados. Estes tumores são mais frequentes nas mulheres, aparecendo normalmente entre os 40 e os 60 anos, mas podem começar a desenvolver-se na infância ou inclusive mais tarde. Os sintomas e os perigos inerentes a estes tumores dependem do seu tamanho e da rapidez do seu crescimento, assim como da sua localização no cérebro. Se crescerem demasiado, podem causar uma deterioração mental semelhante à demência.
Os tumores cerebrais malignos mais frequentes são as metástases de um cancro que teve a sua origem noutra parte do corpo. O cancro da mama ou do pulmão, o melanoma maligno e o cancro de células sanguíneas como a leucemia e o linfoma podem propagar-se ao cérebro. As metástases podem desenvolver-se numa única área do cérebro ou então em várias.
Os tumores cerebrais primários originam-se no cérebro. Quase sempre, os tumores primários são gliomas, que crescem a partir dos tecidos que rodeiam e suportam as células nervosas. Vários tipos de glioma são malignos; o glioblastoma multiforme é o tipo mais frequente. Outros tipos de tumores primários são o astrocitoma anaplásico de crescimento rápido, o astrocitoma de crescimento lento e os oligodendrogliomas. Os meduloblastomas, que são pouco frequentes, aparecem habitualmente em crianças antes da puberdade. Os sarcomas e os adenocarcinomas são cancros pouco frequentes que se desenvolvem a partir de estruturas não nervosas.
Os tumores do cérebro ocorrem com igual frequência no homem e na mulher, mas alguns tipos são mais frequentes nos homens e outros mais frequentes na mulher. Por razões desconhecidas, o linfoma do cérebro aparece cada vez com maior frequência especialmente em pessoas que sofrem de SIDA.

Sintomas
Os sintomas aparecem quando o tecido cerebral é destruído ou quando a pressão no cérebro aumenta; tais circunstâncias podem ocorrer quer o tumor cerebral seja benigno, quer seja maligno. No entanto, quando o tumor cerebral é uma metástase proveniente de um cancro distante, o doente pode também ter sintomas relacionados com esse cancro. Por exemplo, o cancro do pulmão pode causar tosse com muco sanguinolento ou o cancro da mama pode produzir um nódulo na mama.
Os sintomas de um tumor cerebral dependem do seu tamanho, do seu crescimento e da sua localização. Os tumores em certas partes do cérebro podem alcançar um tamanho considerável antes de os sintomas se manifestarem; pelo contrário, noutras partes do cérebro, mesmo um tumor pequeno pode ter efeitos devastadores.
A dor de cabeça é normalmente o primeiro sintoma, embora a maioria das dores de cabeça se deva a causas diferentes de um tumor cerebral. Uma dor de cabeça devida a um tumor cerebral reaparece geralmente com frequência ou é permanente; é muitas vezes intensa; pode aparecer em pessoas que nunca sofreram dores de cabeça; acontece de noite e já está presente ao acordar. Outros sintomas precoces e frequentes de um tumor cerebral consistem na falta de equilíbrio e de coordenação, enjoo e visão dupla. Em fases mais avançadas podem aparecer náuseas e vómitos, febre intermitente, um pulso e uma frequência respiratória anormalmente rápidos ou anormalmente lentos. Pouco antes de falecer podem ocorrer grandes flutuações da pressão arterial. Alguns tumores do cérebro causam convulsões. Estas, no caso de tumores cerebrais benignos, de meningiomas e de cancros de evolução lenta, como os astrocitomas, são mais frequentes do que nos cancros de evolução rápida, como o glioblastoma multiforme. Um tumor pode ser a causa de um braço, uma perna ou um lado do corpo se tornar fraco ou de paralisar; pode afetar a capacidade de sentir calor, frio, pressão, um contato ligeiro ou uma picada de um objeto pontiagudo. Os tumores podem também afetar a vista e o sentido do olfato. A pressão no cérebro pode causar alterações na personalidade e pode fazer com que a pessoa sinta sonolência, confusão e incapacidade de pensar. Estes sintomas são muito graves e requerem atenção médica imediata.

Diagnóstico
O médico suspeita da presença de um tumor cerebral quando uma pessoa apresenta alguns dos sintomas característicos. Apesar de muitas vezes se poder detectar uma função anormal do cérebro no decurso de um exame físico, para estabelecer o diagnóstico devem utilizar-se outros procedimentos.
Uma simples radiografia do crânio e do cérebro é de pouca utilidade no diagnóstico de tumores cerebrais (salvo em raros casos de um meningioma ou de um adenoma da hipófise). Todos os tipos de tumores do cérebro são visíveis numa tomografia axial computadorizada (TAC) ou numa ressonância magnética (RM), as quais podem medir com precisão o tamanho e a localização do tumor. Quando um tumor cerebral aparece numa TC ou numa RM, efetuam-se exames complementares para determinar o seu tipo exato.
Os tumores da hipófise descobrem-se geralmente quando eles comprimem os nervos da visão ao ponto de chegar a afetá-la. As análises ao sangue mostram valores anormais das hormonas hipofisárias e o tumor pode habitualmente ser diagnosticado com uma TAC ou uma RM.
Alguns tipos de tumores podem também produzir valores anormais de hormonas no sangue, embora a maioria não o faça. Deve fazer-se uma biopsia do tumor (obtenção de uma amostra para o seu exame ao microscópio) para determinar o seu tipo e se é maligno.
Algumas vezes, o exame ao microscópio do líquido cefalorraquidiano obtido por uma punção lombar (inserção de uma agulha na coluna lombar para extrair uma amostra do líquido da medula) mostra células cancerosas. A punção lombar não deve fazer-se se existe evidência de um aumento de pressão dentro do crânio, porque uma mudança súbita dessa pressão pode causar uma hérnia, que é uma das complicações mais perigosas de um tumor cerebral. Ao produzir-se a herniação, o aumento da pressão intracraniana empurra o tecido cerebral para baixo através da estreita abertura na base do crânio, comprimindo assim a parte mais inferior do cérebro (tronco cerebral). Como resultado, desestabilizam-se as funções essenciais controladas pelo tronco cerebral, como a respiração, o ritmo cardíaco e a pressão arterial. Sem um diagnóstico e tratamento rápidos, a herniação pode causar um estado de coma e a morte.
Durante a intervenção cirúrgica pode, habitualmente, praticar-se uma biopsia, extirpar o tumor ou parte do mesmo. Em alguns casos não se pode aceder de forma segura ou direta a tumores que se encontram em partes profundas do cérebro. Nestes casos, pode praticar-se uma biopsia com uma agulha guiada por uma técnica de orientação tridimensional; trata-se de uma técnica por meio da qual a agulha é guiada por um dispositivo de imagem para o tumor, do qual se extraem células por aspiração.
Tratamento
O tratamento de um tumor cerebral depende do tipo e da localização do mesmo. Quando é possível, o tumor é extirpado cirurgicamente. Muitos tumores cerebrais podem extirpar-se provocando pouco dano ao cérebro ou mesmo nenhum. No entanto, alguns crescem em locais onde é muito difícil ou impossível o acesso sem correr o risco de destruir estruturas vitais. A cirurgia causa por vezes lesões cerebrais que podem implicar uma paralisia parcial, alterações nos sentidos, debilidade e deficiência intelectual. No entanto, a extirpação de um tumor é necessária se o seu crescimento afetar estruturas cerebrais importantes. Mesmo em casos em que a extirpação não pode curar o cancro, a cirurgia pode ser útil para reduzir o tamanho do tumor, aliviar os sintomas e permitir ao médico determinar com exatidão de que tipo de tumor se trata e se outro tipo de tratamento poderia ser adequado.
Alguns tumores benignos devem ser extirpados, dado que o seu crescimento progressivo em locais com um espaço limitado pode causar lesões graves e inclusive a morte. Sempre que for possível, devem extirpar-se os meningiomas e isso pode habitualmente fazer-se de maneira total e segura. No entanto, os meningiomas muito pequenos e os que se desenvolvem nas pessoas mais velhas não devem extirpar-se. Geralmente, os tumores benignos, como os schwannomas e os ependimomas, podem tratar-se de maneira semelhante. Em alguns casos depois da extirpação aplica-se radioterapia para destruir qualquer célula que tenha ficado.
Muitos tumores cerebrais, e em especial os malignos, são tratados com uma combinação de cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Depois de se ter extirpado a maior quantidade possível de tumor, inicia-se a radioterapia. Esta não cura habitualmente o cancro cerebral, mas pode reduzi-lo suficientemente para o manter sob controlo durante muitos meses e mesmo anos. A quimioterapia utiliza-se para tratar certos tipos de cancro cerebral. Os cancros cerebrais, metastáticos ou primários, podem responder à quimioterapia.
Um aumento de pressão sobre o cérebro é muito grave e requer atenção médica imediata. Habitualmente, administram-se fármacos como o manitol e os corticosteróides por via venosa para reduzir a pressão e prevenir a herniação. Por vezes, coloca-se um pequeno artefacto dentro do crânio para medir a pressão cerebral, com o objetivo de que o tratamento possa ser adaptado às circunstâncias.
A abordagem terapêutica das metástases cerebrais depende em grande medida da zona onde teve origem o cancro. Muitas vezes, efetua-se radioterapia nos tumores cancerosos do cérebro. A extirpação cirúrgica pode ser útil se houver apenas uma metástase. Para além dos tratamentos habituais, existem outros experimentais que implicam o uso de quimioterapia, a colocação de implantes radioativos dentro do tumor e também a radiocirurgia.
Prognóstico
Apesar do tratamento, só 25 % dos doentes com cancro no cérebro vivem mais de dois anos. O prognóstico é ligeiramente melhor em tumores como os astrocitomas e os oligodendrogliomas, os quais não costumam reproduzir-se durante os 3 a 5 anos posteriores ao tratamento. Cerca de 50 % dos doentes tratados por um meduloblastoma sobrevivem mais de 5 anos.
O tratamento do cancro cerebral tem mais possibilidades de êxito em pessoas com menos de 45 anos, nas que sofrem de astrocitoma anaplásico em vez de glioblastoma multiforme e naquelas cujo tumor pode ser extirpado cirurgicamente em grande parte ou na sua totalidade.
Publicação Manual merck em seu site de Portugal

( minhas observações - existe vitória de sobrevivencia de 20, como foi o caso do médico e escritor David Servan-Schreiber, que escreveu o livro ANTICÂNCER, uma publicação que todos deveriam ler )

O COMEÇO DO FIM

Hoje, dia 16 de janeiro de 2012, comecei a radio e quimioterapia, essa por via oral do medicamento TEMODAL. A rádio foi um processo indolor e rápido, a químio, vou contar em outra postagem, pois os sintomas são mais demorados e ainda não tenho todos os registros.
Enquanto estava no Sirio Libanes, após a radioterapia, encontrei um Sr. jantando com duas pessoas, que mais tarde, depois das apresentações, soube tratarem-se de pai, esposa e filha. Este - o patriarca - estava sem cabelos, com o semblante característico de quem teria ou estava sendo submetido a quimioterapia, de nome Jair, médico, morador de uma cidade do nordeste, provavelmente uns 65 a 70 anos de idade e portador de um câncer, segundo ele de próstata, mas que já tinha apresentado metástase na bexiga, pulmão e vários outros lugares. Ao longo da conversa ele, alegre e brincalhão, por várias vezes se dizia curado; periodicamente tinha de retornar ao Sírio para uma nova quíimio e exames. Contei um pouco da minha história e fez questão de frisar que, como médico, tinha a perfeita noção da sua patologia e da minha, e de que o importante era ter fé em Deus e acreditar que tudo daria certo, assim como vem fazendo desde o ano passado, quando descobriu a doença em novembro, e vem acumulando a cada etapa uma nova vitória sobre a doença.
Observei bem suas palavras e o que mais me chamou a atenção foi a alegria e disposição que emanavam do seu semblante, e uma certa despreocupação do dele com sua doença.
De tanta gente que estou vendo com algum tipo de câncer, e de constatações como essa, já dá até para imaginar que a doença está começando a se banalizar e talvez seja por aí o começo do seu fim.

sábado, 14 de janeiro de 2012

MEU ANJO DA GUARDA

Moro na cidade do Salvador, Bahia, Brasil, tenho 54 anos, 80 kg, 1,83 m, saudável, faço todos os anos um rigoroso check up, e levo uma vida como a de qualquer executivo no Brasil.
Em 2010 num exame de avaliação, descobri que minha pressão estava um pouco mais alta e feitos todos os exames, fui declarado pelo meu cardiologista como um hipertenso LEVE. Passei a usar então uma medicação hipertensiva – BENICAR 20 mg – e tudo continuou como antes.
Dia 28 de Novembro de 2011, ao entrar no carro, não sei como bati o lobo direito do meu crânio, com força, na cabine do carro bem próximo a porta do motorista, uma acidente até certo ponto difícil de explicar, analisando posteriormente cheguei a pensar que tinha perdido o senso de orientação tamanha foi a pancada. Doeu bastante e passei muitos dias com aquela região dolorida, inclusive a orelha.
Sem ligar para esse fato, mais ou menos depois de duas semanas comecei a sentir uma dor de cabeça estranha. Tinha dias que acordava com dor de cabeça, em outros levava parte do dia também com dor de cabeça. Essa situação não era nada que eu não tivesse conhecimento, afinal sempre fui, ao longo da minha vida, um eterno portador de dores de cabeça. Um dia despertei durante a noite com uma dor de cabeça esquisita, aliás nunca tinha sentido uma dessas; era do tipo "pulsativa" e quando acordei resolvi procurar um médico, afinal a cabeça doía quase todos os dias e o local da pancada continuava dolorido, apesar de quase 20 dias do fato.
Fui a um amigo neurologista que solicitou uma ressonância magnética, e como estava para viajar ao exterior onde passaria as festas de final de ano, levei os filmes diretamente na casa dele. Lá tomei o meu primeiro susto, quando ele me disse que a pancada não tinha gerado nenhuma lesão maior no cérebro a não ser o fato de ter me levado a fazer esse exame, e que eu tinha um TUMOR no lóbulo lateral do cérebro, ainda carente de uma melhor investigação, podendo ser um MENINGIOMA.
Fiquei estarrecido, saí de sua casa com uma nova requisição de exame e no dia seguinte já o tinha realizado, dessa vez com um contraste e aspectos mais específicos. Esse novo resultado, que foi dado a minha esposa e filha já apontava alguns indícios de outra neoplasia e apesar de não conhecer esse novo laudo, resolvemos, toda a minha família, irmos para São Paulo, na busca de outras avaliações.
No dia 27 de dezembro já estava em São Paulo em consulta com Dr. Marcos Stávale, que confirmou ser um tumor com irrigação, evidencias de necrose e o quanto antes pudesse ser removido melhor. O caso era cirúrgico.
No dia seguinte, dia 28, estava sendo operado. A cirurgia segundo o médico foi um sucesso, houve a resseção total do tumor. Saí muito bem da cirurgia, sem nenhuma sequela, e no dia 29 eu já estava andando com minha família na lanchonete do térreo do hospital Sírio Libanês, até o médico se mostrou esoantado.
Eu não sabia ainda que tipo de patologia tinha sido retirada e aos poucos fui me rendendo à minha própria curiosidade. Foi quando em uma das visitas do meu cirurgião, perguntei claramente o que ele tinha encontrado. A resposta foi clara e cristalina: um GLIOMA. Dias depois, através do resultado da biópsia, a confirmação de um GLIOBASTOMA MULTIFORME – GBM.
Não sei nem o que pensei naquela hora, sabia pouco sobre tumores do Sistema Nervoso Central, mas o suficiente para saber que tinha um dos piores ou a pior e mais agressiva patologia, com uma sobrevida média de 15 meses, dados comuns obtidos na internet de diversas fontes inclusive universidades no Brasil e Exterior.
Não há nada que descreva essa sensação, só mesmo quem passou por ter a sua sentença de morte anunciada pode ter uma noção disso.
Hoje, dia 14 de janeiro de 2012, ainda não consigo pensar a respeito disso, consigo no máximo colocar isso em uma parte da minha cabeça, que tranco e só abro quando eu quero. Foi a pior coisa que já me aconteceu até hoje, inclusive para minha família. Eu não gostaria de estar na pele da minha esposa, saber que seu parceiro vai em um tempo para frente morrer dessa doença. Muita tristeza, revolta, indignação, perguntas do tipo – POR QUE EU? - e tudo mais, é isso que sinto ao longo dos últimos dias. Meu tratamento começará na próxima segunda dia 16 de janeiro de 2012, farei radioterapia e quimioterapia por 06 semanas, para em seguida uma nova avaliação, quando será definido qual o tipo e continuidade do tratamento.
Tenho lido muito sobre TUMORES no cérebro e espero poder colocar algumas leituras e links sobre o assunto para que outras pessoas possam conhecer - ou até mesmo diminuir - suas aflições, pela presença na família dessa doença que não tem cura ainda, e representa uma falha do nosso sistema imunológico, em síntese.
Minha família inteira ficou abalada, hoje vejo que todos rezam, fazem promessas e formam uma corrente para que eu possa de alguma forma “me curar” ou viver mais, assim como alguns registros de pessoas que viveram 20 anos ou mais.